terça-feira, 6 de agosto de 2024

De volta pro futuro

Pego pra reler uns trechos de "Hip-Hop: Dentro do Movimento", livro-reportagem do Alessandro Buzo, publicado em 2010 como parte de uma coleção da editora Aeroplano dedicada à literatura produzida nas periferias.

São 316 páginas de entrevistas com nomes expressivos da cultura de rua: Nelson Triunfo, Emicida, Marechal, Pathy de Jesus, GOG, Kamau... Muita gente comunicando sua perspectiva sobre a cena naquele contexto.

Uma pergunta recorrente na publicação diz respeito ao que o entrevistado esperava do futuro da cultura hip-hop. Passados 14 anos, e apesar dos percalços que os artistas - sobretudo os independentes - costumam enfrentar no mundão, o avanço é notável. O hip-hop fixou sua relevância social, e o Estado, assim como o mercado, investem bem mais no segmento do que na época em que foi lançado o livro. Verdade que há muito a se alcançar, mas o caminho vem sendo pavimentado.

Abaixo, três respostas sobre o futuro publicadas em "Hip-Hop: Dentro do Movimento":

Japão (Viela 17) - "Espero investimento individual e coletivo, que toda a história seja lembrada como um ato heróico, feito única e exclusivamente para tirar o povo pobre do descrédito e do ócio urbano."

Toni C - "Não espero. No lugar, dou minha contribuição para que o hip-hop se reerga. Da maneira que está no atual momento, está bom para quem?"

Parteum - "Espero que saiamos da caixa que nos foi oferecida no início de tudo. Já éramos multimídia antes mesmo de o termo ganhar força, Buzo. Lançar mixtapes, criar campanhas de lançamento de disco com pouca verba, gravar videoclipes (e dirigi-los), criar logotipos, printar camisetas, formatar programas de rádio e TV com a temática do gênero... Qualquer seguidor do hip-hop sabe disso, mas acho que é chegada a hora de olharmos para outros estilos musicais, outras artes e assegurar nosso lugar ao sol, pois hoje em dia emprestamos bem mais do que pegamos emprestado. A 'caixa' ficou muito pequena..."

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Odara é

A primeira versão que escutei de "Odara" foi a do disco "Refestança", na voz do Gil e Rita Lee. Depois, descobri que se tratava de uma canção do Caetano e fui conhecendo outras releituras, como o sample em "Rap du bom parte II", do Rappin' Hood, uma cantada pela Gal Costa no "Mina d'água do meu canto", além da gravação original do autor que tá no álbum "Bicho", lançado no mesmo 1977 de "Refestança" e que tem a mesma minutagem da versão da Gal: 7'17".

Sempre achei uma música gostosa, que te convida a navegar em boas ondas. E com duas ou três digitações é fácil descobrir que o nome Odara tem origem iorubá e significa exatamente aquilo que sugere a letra: tranquilidade, beleza, alegria. Ou seja, Odara nada mais é do que 'daora'.